Consciência da Solidão
A parte mais difícil da vida adulta é a consciência da solidão.
Não são os boletos, nem a falta de tempo, nem o trabalho que detesta, nem aquele chato que não sai do seu pé. É entender que estamos irremediavelmente sós nesse mundo.
Entenda, não é falta de amigas ou de quem me ame. Longe disso. Mas é fácil perceber que está todo mundo ocupado demais com as próprias vidas para te dar colo. Não é má vontade, não é falta de amor: é só a vida. Cada um é a sua própria prioridade. Eu também sou a minha.
Mas, hoje…
Especialmente hoje…
Eu queria ser a prioridade de alguém um pouquinho…
Queria conversar. Queria que alguém entendesse sem que eu tivesse que explicar muito. Queria um carinho na cabeça enquanto ouvisse “vai ficar tudo bem”, mesmo que ninguém tenha certeza disso.
É difícil ter essa consciência da solidão porque não tem o que fazer. Tá todo mundo trilhando seu próprio caminho, tentando chegar inteiro ao fim do dia com o mínimo de sanidade. Eu também estou tentando não enlouquecer. E nesse caminho invejo verdadeiramente as pessoas que não precisam desse contato humano, que seguem a vida sem sentir falta de abraço, de colo, de alguém para ouvir o desabafo sem olhar o relógio. Eu não consigo.
Hoje é um daqueles dias em que eu daria tudo, tudo mesmo, para sentar no colo de alguém, receber um carinho no cabelo e poder falar: “meu dia foi um caos e eu estou apavorada”. Porque, sim, eu estou grata por várias coisas que têm acontecido, mas a gratidão não anula o medo. Ficam os dois sentimentos ali, lado a lado, disputando espaço no meu peito.
Talvez seja só a TPM me deixando mais chorona. Talvez.
Mas TPM ou não, o fato é que hoje eu daria tudo por um colo.

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