Cama que não é minha
Eu escrevo quando dói. É quase uma regra: a tristeza me incomoda e me arrasta pras palavras. A dor me faz escrever como quem sussurra sozinha. A alegria não, a alegria me espalha e leva para as pessoas. Me tira de mim mesma e das minhas reflexões.
E talvez isso esteja errado. Talvez eu devesse aprender a escrever a alegria também. A pensar a alegria e entender o que, afinal, me faz bem. Porque quando eu paro para pensar… eu não sei. Não sei exatamente o que me faz feliz. Só sei que, quando estou bem, eu cuido. Eu me dou. Apareço. E se você quiser saber como eu estou, observe se estou fazendo algo por alguém. Esse é o meu termômetro.
Mas não me entenda errado, não sou nenhuma alma santa e caridosa. Talvez esse meu jeito de cuidar seja mais sobre mim do que sobre o outro. É culpa do meu ascendente que eu goste de me sentir necessária. Talvez o meu amor tenha um quê de egoísmo bonito que constrói laços, que alimenta vínculos e cria amor de volta.
Porque o que me sustenta hoje são essas mulheres que me cercam. Amigas que percebem no meu silêncio que tem algo errado e não me deixam sozinha, mesmo quando tudo o que eu queria era sumir.
Hoje, por exemplo, eu estou deitada numa cama que não é minha, numa casa que não é minha, porque duas amigas me trouxeram para perto. Me alimentaram com pizza, coxinha, kibe, linguiça, Coca Zero e carão. Me alimentaram com presença e me obrigaram a chorar.
E olha… eu chorei. Porque eu tô com medo real do futuro. Mas mesmo assim, mesmo com medo, tem uma certeza bem clara: aconteça o que acontecer, sozinha eu não vou estar.
Talvez eu nunca tenha um “mozão” pra me abraçar nas noites ruins. Alguem que me traduza e me faça carinho nas costas. Mas eu já sou amada de um jeito que salva. Que acolhe. Que enxerga.
E isso também merece ser escrito.

1 Comment
Você é muito amada ❤️