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Jade Maranhão

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Bater o dedinho na quina da cama
Sobre sentimentos

Bater o dedinho na quina da cama

Viver é como bater o dedinho na quina da cama repetidas vezes.

Não precisa de muito. Um comentário atravessado, uma notícia ruim, uma ausência que traz ansiedade e lá está o choque com o pé da cama: seco, agudo, idiota. Uma dor tão pequena e tão inteira que toma conta do corpo todo. A gente fica ali, com o corpo curvado por causa de um dedo só que insiste em doer mais do que devia. Mas logo passa.

O problema é que a vida é um campo minado de quinas em que a gente vive batendo dia após dia. Batendo e lembrando de todas as outras vezes em que já bateu. Porque a dor não vem sozinha, ela puxa pelos cabelos as dores anteriores. Faz uma fila delas. Parece o atendimento serviço público, apinhado de mágoas esperando a sua vez na nossa cabeça.

E o pior é que, mesmo nos dias bons (porque de vez em quando a vida presta!), eu não consigo parar de pensar na próxima quina. A próxima rasteira. A próxima tristeza. Já vi esse filme e já sei que a mocinha morre no final.

É curioso como, mesmo cercados de gente que ama, mesmo sendo acalentada por quem me ama, mesmo comendo aquele sorvete de chocolate, ainda assim, tudo vira o dedinho batido. O corpo inteiro virado para a dor. O pensamento inteiro dominado pela lembrança da dor. Os dias virando intervalo entre uma pancada e outra.

E então cansa. Não é só a dor que cansa. É o ciclo. Bater, lembrar, esperar, bater de novo. É como se existisse cama demais para pé de menos. Dor demais para coração de menos.

Talvez ser adulto seja isso. Um eterno exercício de evitar quinas invisíveis. Um jogo de desviar de móveis que a gente mesmo colocou ali ou que a vida enfiou na nossa sala sem avisar.

Mas ainda assim, mesmo cansada, triste e com vontade de sair correndo nua na BR sem destino… eu tô aqui. De vez em quando eu até tento lembrar das coisas boas. Sou alguém que, mesmo com o dedinho latejando, ainda fala de sorvete de chocolate, de amor, de apoio.

Eu também existo entre as quinas

Written by Jade Maranhão - 1 de agosto de 2025

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